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sábado, 3 de julho de 2010

Juan Rulfo (1917-1986)


Juan Rulfo nasceu em Jalisco, no México, no ano de 1917. A proximidade de uma biblioteca, na sua juventude e a possibilidade de usufruir dos seus livros, alimentaram-lhe o gosto pela leitura, tornando, mais tarde, possível a escrita e a publicação de obras que viriam a obter reconhecimento e louvor por parte de autores, como: Jorge Luis Borges, Gabriel García Márquez e Susan Sontag.

Na página oficial de Juan Rulfo pode ler-se:
"La novela de Rulfo no es sólo una de las obras maestras de la literatura mundial del siglo XX, sino uno de los libros más influyentes de este mismo siglo." Sontag (1994)
Detendo-se sobre o primeiro contacto com a ficção de Rulfo, Gabriel García Marquez escreveu ainda:
"Nessa noite não consegui adormecer enquanto não terminei a segunda leitura. Nunca, desde a noite tremenda em que li a Metamorfose de Kafka numa lúgubre pensão para estudantes em Bogotá - quase dez anos antes -, eu sofrera semelhante comoção. [...] Durante o resto daquele ano não consegui ler nenhum outro autor, porque todos me pareciam menores."
A editora Cavalo de Ferro lança agora num volume único a Obra Reunida do escritor mexicano, com tradução de Rui Lagartinho, Sofia Castro Rodrigues e Virgílio Tenreiro Viseu. É-nos, assim, facultada a leitura de O Llano em Chamas (1953), Pedro Páramo (1955), e O Galo de Ouro (1980).

domingo, 16 de maio de 2010

Âncoras de gelo

Selma Lagerlöf (1858-1940) escreveu O Tesouro, que a Cavalo de Ferro lançou agora na nova colecção Gente Independente. Trata-se de uma narrativa quase breve inserindo-se na literatura fantástica, onde as personagens vivas se deixam conduzir ou atormentar por outras fantasmagóricas.
Enquanto a acção se precipita, as embarcações permanecem imóveis, ancoradas num autêntico mar de gelo
.

Alheios a tais avisos da Natureza, prenúncios de desgraça certa, três nobres escoceses aguardam o momento em que a viagem os devolva a casa. O amor, o medo, a morte fazem-lhes companhia.

"Nesse instante, Torarin viu algo atrás do fidalgo escocês, que se assemelhava a uma outra sombra. Viu algo alongado, delgado e cinzento, que se deslocava, pairando acima do solo, sem deixar vestígios no caminho nem fazer chiar a neve branca.
[...] Ao ver isto, Torarin ficou mais assustado do que provavelmente podia aguentar. Gritou bem alto e chicoteou o cavalo, de tal modo que este tomou o freio nos dentes, arrancou a todo o galope e só parou, escorrendo suor, à porta da choupana." (p. 41)