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segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Contos de Natal depois do Natal

Depois do Natal, se houver um tempinho, de férias ou nos transportes, antes de dormir ou numa pausa que se encontre, há que escolher um daqueles livros que tão generosamente nos depositaram no sapatinho.

Uma das leituras que o Natal nos deixou foi há muito proposta por Enid Blyton e reune, num mesmo volume, seis contos ilustrados por Mireia Coll, numa atmosfera mágica de fadas e brinquedos, duendes e partidas:

1. O Roubo dos Brinquedos do Pai Natal
2. A Oficina de
Brinquedos do Pai Natal
3. A Festa de Natal das Fadas
4. A Noite em que os Brinquedos Ganharam Vida
5. O Primeiro Natal do Coelhinho
6. Natal na Loja de
Brinquedos
Boas Leituras!

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Humor e desamor

Ela dedica-se de corpo e alma às estratégias de remediação do insucesso e desmotivação dos seus alunos do 8º ano, ele procura harmonia no seu grupo de teatro desavindo, desvincular-se da família virtual que o chantageia, compreender a lógica da integração de personagens da História comum num argumento que lhe parece duvidoso.

Entre dúvidas, decepções, e passagens que nos fazem sorrir e até rir com gosto, um olhar sobre a própria vida.


quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ao som do vento e das gargalhadas

Passada a última casa, começava a descida da serra. À medida que iam andando, a jogar a cabra – cega com as fragas, a aldeia, cada vez mais distante e cingida ao seu bioco de colmo, lembrava uma mãe abandonada. E alguém cantou:


Adeus, adeus, minha terra,

Berço da minha alegria,

Penaguião vem de pena,

Mariana de Maria


As raparigas deixavam vir à tona os encantos soterrados, os rapazes davam largas à inspiração, e os velhos iam pouco a pouco perdendo também o ar encardido, num renovo de esperança. Cada palmo percorrido era uma ruga a menos, na alma e no corpo.
[...] Em S. Martinho, primeira terra do Doiro, e por isso com um patrono vinhateiro, beberam. No eiró da terra formaram roda, o harmónio, o bombo e os ferrinhos acertaram a voz, e, saltando.

Miguel Torga, Vindima

quinta-feira, 26 de março de 2009

A queda de Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbosa


26 de Março, Dia do Livro Português.

Uma escolha difícil, entre tantas de grande mérito, que honram as nossas letras e nos dão um prazer imenso ao lê-las.

De Camilo Castelo Branco, a novela satírica publicada em 1866, apresenta-nos a vinda atribulada de Calisto Elói de Silos e Benevides de Barbosa morgado da Agra de Freimas e fidalgo provinciano, para o seio da vida política, onde acaba por se deixar corromper.

"Engoliu o morgado três frases de polpa, que lhe inflamavam os bócios, e foi ao jantar, sacrificando-se à regularidade das suas horas inalteráveis de repasto.
Ficaram o boticário e o professor de primeiras letras, e mais os lavradores, ruminando as palavras do fidalgo, e glosando-as de notas ilustrativas, ao alcance das capacidades.
Um dos mais graves e anciãos lavradores, regedor, ensaiador e ponto nos entremezes do Entrudo, exclamou:
- Aquilo é que dava um deputado às direitas! Um homem assim, se fosse a Lisboa falar ao rei, as contribuições haviam de acabar!
- Isso não, perdoará vossemecê, tio José do Cruzeiro - observou o mestre-escola - os impostos é necessário pagá-los. Sem impostos, não haveria rei nem professores de instrução primária (observem a modéstia da gradação!), nem tropa, nem anatomia nacional.
O mestre-escola havia lido, repetidas vezes no Periódico dos Pobres, as palavras autonomia nacional. Falhou-lhe desta feita a memória, lapso que não destoou em nenhumas orelhas, exceptuadas as do boticário, que resmungou:
- Anatomia nacional!
- Que é!? - perguntou ao farmacêutico um estudante de clérigo.
- Parece-me que é asneira! - respondeu o outro com certa indecisão.
Prosseguiu, concluindo, o mestre-escola.
- E, portanto, os tributos tio José do Cruzeiro, são necessários ao Estado como a água aos milhos. Ora, agora, que há muito quem bebe o suor do povo, isso há; e aqueles que deviam ser bem pagos são os que menos comem da fazenda nacional. Aqui estou eu, que sou um funcionário indispensável à Pátria, e receberia cento e noventa réis por dia, se não trouxesse rebatidos seis recibos a trinta e seis por cento, de modo que venho a receber seis e cinco! Que país!... O senhor morgado disse bem: estamos chegados aos tempos dos Dioclecianos e Calígulas!
O auditório já vacilava em decidir qual dos dois era mais talhado para ir falar ao rei a Lisboa, se Calisto, se o mestre-escola."

A Queda dum Anjo

sábado, 25 de outubro de 2008

Sala de Aulas

Entre les Murs, foi escrito por François Bégaudeau, um jovem professor francês que assim nos dá uma visão muito real do dia-a-dia das relações interpessoais numa sala de aulas, onde o multiculturalismo é pano de fundo.

Várias questões se colocam na prática lectiva, sem artifícios. François fala-nos de alunos com uma forte identidade, como Suleymane, jovem de perfil rebelde e alvo de procedimento disciplinar.
Tal como acontece com grande parte dos colegas, a sua Língua Materna não é o Francês, o que reforça as dificuldades evidenciadas nas aulas.


Laurent Cantet, realizador francês, levou esta obra à Sétima Arte
na qualidade de cinéma-verité, tendo por actores, François Bégaudeau e os próprios alunos.
Este trabalho viria a ser distinguido com a Palma de Ouro na última edição do Festival de Cinema de Cannes.

Edição Portuguesa: A Turma.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Nova Aventura d' Os Primos

Mafalda Moutinho lança agora mais um livro da colecção Os Primos, em que embarcamos numa verdadeira aventura mar adentro.
Desta feita, as irmãs Ana e Maria e o primo André acompanham os embaixadores Torres, a Espanha, mais precisamente a Valência, enquanto decorre a final da Taça América.
A bordo do veleiro Mi Vida tudo acontece e as pistas mais adensam os mistérios, como, por exemplo, a presença de quatro cópias de um cálice que lembra o Santo Graal.
Aqui fica uma passagem para levantar o véu... ou para aguçar a curiosidade e convidar à leitura:

– É certo que as coincidências continuam a deixar-me
banzada…
– Coincidências? – perguntou o primo. – De que estão vocês
a
falar? Que coincidências são essas? Uhmm… Agora é a minha
vez de ficar curioso…
– Dizes-lhe tu, ou digo-lhe eu? – quis saber Ana, divertida
com a impaciência de André.
Maria sorriu, colocou-se mesmo em frente da câmara e
endireitou-se
na cadeira. Depois esfregou as mãos, aclarou a garganta e por
fim perguntou:

quinta-feira, 10 de abril de 2008

De Berna para Lisboa


Escolheu Portugal como pano de fundo de um romance de sucesso por admirar profundamente Fernando Pessoa.
Comboio Nocturno para Lisboa
parte de Berna, numa manhã chuvosa em que Raimund Gregorius, personagem central do livro, impede uma mulher de saltar de uma ponte. Ela fala-lhe em Português e desaparece. O fascínio exercido por tal figura é intensificado pela descoberta de um livro de Amadeu Inácio de Almeida Prado.
Raimund, professor de Grego, Hebreu e Latim, resolve aprender Português e apanha um comboio para Portugal onde o aguardam segredos e revelações marcantes.


Peter Bieri nasceu em Berna e leccionou Filosofia na Universidade de Berlim. Ganhou gosto pela escrita e tomou o pseudónimo literário de Pascal Mercier - curiosamente, por lhe agradar a sonoridade francesa.