Um vulto prossegue de costas para a noite, alheio a nós, alheio ao eléctrico
vazioiluminado.
Envolve a dedicatória a Miguel Donas, um viajante que tocou o coração do homem
da escrita.
O Viajante Sem Sono
José Tolentino Mendonça
Assírio & Alvim
vazio
O objectivo da presente dissertação é abordar o episódio do terceiro Evangelho (Lc 7,36-50) através de um exercício de análise narrativa, averiguando o modo como o narrador lucano faz emergir o personagem Jesus. A isso chamamos 'construção'. Não se pretende discutir a prioridade que o Jesus histórico tem sobre o raconto que o toma por protagonista. Se, como recorda Genette a propósito da ficção, a situação narrativa supõe uma instância que precede o actual estado de escrita, quanto mais não se dirá de um Evangelho (Lc 1,1) que intende relatar 'factos que se cumpriram' […] A inquestionável anterioridade de Jesus é fundadora do próprio raconto. A nossa opção é a de sondar a forma como Jesus é revelado no texto evangélico pelo recurso a essa poderosa 'arte refinada', que Lucas domina de forma até 'instintiva', a arte de narrar. Veremos que a arte literária não só nada dilui do impacto teológico da sua figura, como nos faz perceber que a teologia do raconto não se pode dissociar do modo como ele é construído: as categorias do raconto e seus procedimentos estão implicados no conteúdo veiculado. E se, como escreve Aletti, 'talvez a obra lucana seja o primeiro ensaio de cristologia verdadeiramente narrativa', teremos a oportunidade, por aí, de aprofundar caminhos de um renovado encontro com Jesus.
Hoje, essa mesma terra presta-lhe homenagem numa tarde que se adivinha acolhedora, como a mãe que abraça o filho crescido, que acaba de regressar.A recordação mais antiga que tenho de mim mesmo (falei dela há tempos numa entrevista a uma revista da Galiza) é uma criança de dois ou três anos, de chapéu de palha na cabeça, ao pé de uma fonte, acho que uma fonte de mergulho, circular, num largo talvez em frente de minha casa. Outra criança tira-me o chapéu da cabeça e atira-o à água. Eu – acho que sou eu essa criança – exijo-lhe que o vá buscar e mo devolva. O outro miúdo não o faz, e afasta-se rindo. Então, cheio de orgulho ferido, eu regresso a casa.


"À data de 25 de Março deu-se em São Petersburgo um acontecimento de inaudita estranheza."Por um lado, o barbeiro Ivan Iákovlevitch, esperando degustar um delicioso pão quente, fica estarrecido ao encontrar, no meio do miolo, um nariz. Por outro lado, "um lugar perfeitamente raso" é o que Kovaliov descobre acima da boca, ao contemplar o seu rosto no espelho - nada poderia ser mais constrangedor e, perplexo, tentando ocultar tamanha bizarria, cobre o rosto e vai ao encontro do chefe da polícia. Não o encontrando, recorre à secção de anúncios do jornal.
“Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as” (Mt 6,26)
Valerá a pena sermos um pouco ornitólogos por instantes para observarmos estas criaturas dotadas de beleza, com toda a serenidade, para além das páginas dos livros.
O número deste mês da publicação Le Magazine Littéraire dá especial destaque aos Místicos, consagrando-lhes um dossier específico. Mensageiros do Céu na Terra, demiurgos que escrevem num estado de êxtase, no dizer de Jean-François Colosimo, estes homens e mulheres, de hábito religioso deixaram-nos um legado escrito, cheio de intensidade, resultando de uma ligação directa entre o indivíduo e a divindade, conforme acrescenta Frédéric Lenoir.
A revista dá especial destaque a São Francisco de Assis enquanto pilar do Cristianismo actual, preconizando a necessidade de
o homem se aproximar da figura de Cristo, abandonando uma visão essencialmente contemplativa (Henri Tincq).
Ao assinalar-se o Dia Mundial do Teatro, aqui fica uma sugestão: se não puder assistir a nenhuma peça, porque não revisitar os clássicos da nossa dramaturgia?As duas peças têm um elemento comum que as relaciona – neste caso, uma personagem: Cupido. Cupido anda fugido da mãe, a Deusa Vénus, porque se enamorou da Terra e a ela desceu, para mudar os homens, mas acaba por se ver sujeito aos desígnios da Deusa Ventura. Em redor deste ‘menino-Deus’, gravitam muitas outras personagens: desde deuses a princesas e reis, há ainda lugar para um filósofo que foi obrigado a viver amarrado a um parvo.
Escritas em português e castelhano, Frágua de Amor e Floresta de Enganos foram traduzidas por José Bento e representadas no Teatro da Cornucópia, no espectáculo Amor/ Enganos, no ano de 2000. (http://www.assirio.com)

"Este livro é para os homens que gostam de cozinhar e bem comer, sabendo que a diferença é grande entre alimentação de sobrevivência e cozinha para regalo do paladar. É também para aqueles que sabem que a cozinha lhes pertence, no dia em que entendem seduzir com aromas e gostos e percebem que o homem que gosta de cozinhar é um ser social por excelência. Destina-se este livro aos que julgam a cozinha como uma manifestação superior do espírito." Alfredo Saramago
Alfredo Saramago, natural de Arronches, fez parte dos seus estudos em França e em Inglaterra. Gastrónomo, tem já publicadas várias obras de gastronomia e vinhos.
