Normas Para Um Estrangeiro é um daqueles livrinhos que se lêem com um sorriso de orelha a orelha e nos fazem pensar na validade dos estereótipos. O seu autor, originário da Hungria, viveu em Londres a partir de 1938, trabalhando como correspondente de jornais de Budapeste, tornando-se, também, produtor da BBC e escritor. Nesta obra deliciosa traça um retrato, temperado com humor, dos Ingleses que observa, mas também dos estrangeiros. Referindo-se à temática do tempo, escreveu:
Este é o assunto de conversa mais importante do país. Não se deixe levar pelas suas recordações da juventude quando, no Continente, querendo descrever alguém como excepcionalmente maçador, dizia: "É o género de pessoa que discute o tempo consigo" Em Inglaterra este assunto tem sempre muito interesse, chega a ser excitante, e você tem de saber falar do tempo.
O tom é sempre irónico e divertido, enriquecido pelas ilustrações de Nicolas Bentley. No prefácio à 24ª edição inglesa, George Mikes afirmou-se simultaneamente surpreendido e desapontado ante o amável acolhimento que esta obra mereceu. No nosso país, já dificilmente se encontra este livro, cuja versão traduzida por M. H. Fialho Martins foi há muito publicada pela Empresa Nacional de Publicidade.
Mafalda Moutinho volta a contar-nos as andanças e aventuras dos primos André, Ana e Maria, por lugares cheios de exotismo, oferecendo momentos recheados de humor, mistério e muitos ensinamentos.
A aventura começa a partir de uma visita de estudo ao Museu do Oriente em Lisboa e os três jovens acabam por viajar até à Grande Muralha da China. Camões, Fernão Mendes Pinto e Eça de Queirós não só adensam o mistério como contribuem, com textos seus, para desvendar mais um caso, afinal.
No primeiro capítulo enquanto viaja de eléctrico com o amigo Ma Lin, André não consegue deixar de dar largas à sua preocupação:
As recordações amontoavam-se-lhe na mente e confundiam-no a ponto de o levar a crer, de vez em quando, que tudo não passara de uma invenção, talvez estimulada pelas fervorosas descrições da guia ou pelas sugestivas máscaras da exposição temporária que a turma tinha visto logo no início da visita.
«Era, ou não, uma pessoa?», perguntava a si próprio, percorrendo mentalmente os corredores do rés-do-chão e os do primeiro andar, onde tinha quase a certeza de ter vislumbrado a presença de alguém a esconder-se. Quase.
Robert Langdon, personagem central d' O Código da Vinci, depara-se com uma nova situação enigmática, lançando-se num percurso de descodificação de símbolos e mistérios. Em causa parece estar o ressurgimento dos Illuminati, coincidindo com o aparecimento de uma figura proeminente do universo científico, sem vida, com o símbolo desta sociedade secreta gravado no peito.
A defesa da nossa civilização repousa, então, nas mãos de Langdon e de Vittoria, que mergulham nas catacumbas de Roma em busca da salvação colectiva.
A versão cinematográfica desta obra de Dan Brown chega agora às nossas salas de cinema.
O jornalPúblicopermite-lhe conhecer ou recordar músicas das décadas de 60, 70, 80 e 90, durante o mês de Maio. De Segunda a Quinta-feira pode adquirir um cd diferente - grátis no primeiro dia da semana, por € 1,95 nos restantes.
Hoje poderá ouvir, por exemplo, Maxi Priest em Close to you.
O dia 26 de Abril fica marcado pela canonização do Santo Condestável - Beato Nuno Álvares Pereira.
Nasceu em 1360 e chegou a possuir a maior fortuna do país, um património que daria origem à Casa de Bragança (Segundo João Gouveia Monteiro em entrevista no programa Câmara Clara de hoje), terminando os seus dias despojado dos bens materiais que distribuiu pelos pobres, pela Igreja, pela família e pelos companheiros de vida militar.
Sobre a vida do Santo Condestável, sua Santidade o Papa Bento XVI afirmou tratar-se de uma "prova de que, em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélica, é possível actual e realizar os valores e princípios da vida cristã".Para melhor conhecer esta figura tão carismática da nossa História, a quem Camões se refere como "forte Dom Nuno Alvares", n' Os Lusíadas (Canto IV), várias obras se encontram ao nosso dispor, prestando homenagem ao homem e ao santo.
Frei Nuno de Santa Maria faleceu no convento do Carmo em Lisboa. O seu legado Histórico ficará para sempre associado à Batalha de Aljubarrota.
Contornou o passeio e apanhou com a forte rajada, vinda do oceano, em cheio. Observou as nuvens a correr no céu e percebeu que, apesar de o dia seguinte ser o primeiro dia da Primavera, não seria nenhuma surpresa se nevasse mais tarde. [...] Há quatro anos e meio, tinha morto a primeira pessoa.
Assim começa A Rua Onde Vivem de Mary Higgins Clark, num tom arrepiante em que o assassino é a primeira personagem que encontramos, apreciando um cenário idílico, reflectindo sobre duas mortes que já cometeu, projectando uma próxima. A inspirá-lo, tem um diário antiquíssimo, onde um outro assassino registou detalhadamente os seus crimes. Emily, a vítima eleita para suceder a Martha e a Carla, deixa Albany e instala-se na mansão outrora pertença da sua família enlutada pelo desaparecimento de uma jovem encantadora, há cento e dez anos atrás e cujo esqueleto é, agora, descoberto nas traseiras da sua casa... em conjunto com os restos mortais de uma outra jovem de Spring Lake, procurada há quatro anos e meio. Na mão da vítima mais recente fora depositado um dedo das ossadas da sua infeliz antecessora e companheira de sepultura, ostentando um anel - ornado com uma safira, igual ao que as jovens da família de Emily recebiam aos dezasseis anos.
Absorvente e irresistível, bem ao estilo de Mary Higgins Clark.
"O mundo é um palco/ E todos os homens e mulheres simples actores: / Têm as suas saídas e entradas, /E, em vida, um só homem tem vários papéis, /Tendo os seus actos sete idades"
Esta é uma das passagens mais conhecidas da obra shakespeariana e encerra a comédia Como Lhe Aprouver. Para trás, fica uma teia de enganos e dissimulações, usurpação, melancolia, a floresta de Arden - cenário onde das árvores pendem cartas de amor. Antes do epílogo da obra, celebram-se os casamentos dos apaixonados, repõe-se a ordem social e restaura-se a alegria.
James Graham Ballard, escritor Britânico, nascido em Xangai, autor de Noites de Cocaína, deixou-nos um legado literário que a sétima arte converteu em verdadeiros clássicos, entre os quais se destacou a obra Império do Sol e Crash, com adaptações, respectivamente, de Steven Spielberg e David Cronenberg . Comummente associado ao universo da ficção científica, integrada em cenários distópicos, Ballard escreveu também relatos auto-biográficos, ligados à sua vida em Xangai, e no campo de Lunghua, em consequência da II Guerra Mundial.
His work embraces dystopian scenarios, including the archetypal non-space often characterised as a deadening feature of late capitalism. But this is not simply a call for nihilism. Ballard's characters are not disengaged from their world. Rather, they embody a sense of resistance that derives from full immersion, a therapeutic confrontation with the powers of darkness, whereby merging with dystopian alienation negates its power. This is predicated on concurrency: Ballard's writing turns objectivity into subjectivity, opens up gaps where there is room for new subjects. His scenarios are what I term 'affirmative dystopias', neither straight utopia nor straight dystopia, but an occupant of the interstitial space between them, perpetual oscillation between the poles – the 'yes or no of the borderzone', to use a phrase from his work.
O semanário Expresso dedica-nos um cd promocional, onde podemos ficar a conhecer um pouco o projecto Amália Hoje, em cuja formação encontramos Sónia Tavares e Nuno Gonçalves dos The Gift, Fernando Ribeiro dos Moonspell e Paulo Praça (ex-Turbo Junkie e Plaza). Este cdbrinda-nos com um medley de 4 temas do projecto, um videoclip do tema Gaivota e um vídeo do making ofdas gravações de Amália Hoje. O trabalho integral será disponibilizado a partir do dia 27 de Abril, assinalando o décimo aniversário da morte de Amália Rodrigues.
O manuscrito de Madame Bovary, romance da autoria de Gustave Flaubert, pode agora ser consultado e "folheado" no sítio www.bovary.fr . Este passo traduz a empresa levada a cabo por um largo número de transcritores - 600, conforme informação disponibilizada -, cujas idades se situam entre os 16 e os 76 anos, sendo originários de países como: Argentina, Áustria, Bélgica, Colômbia, Estados Unidos da América, França, Gana, Grã-Bretanha, Hungria, Itália, Japão, Nova Caledónia, Nova Zelândia, Polinésia Francesa, Portugal, Suíça e Tailândia. É possível admirar a escrita e as correcções do texto original, levadas a cabo pela mão de um escritor que se denominava a si próprio de "homme-plume".
Yvan Leclerc e Danielle Girard são responsáveis por este projecto, tomando por base a edição de Charpentier de 1873. Todo o trabalho acabou por se desenvolver a partir de uma parceria estabelecida entre a Universidade de Ruão e a Biblioteca Municipal.
No sítio em questão podemos ainda consultar outras informações relevantes, sobre o autor e a sua obra, mas, aqui fica o conselho para a contemplação das ilustrações de edições específicas, feitas por A. Richemont e A. Fourié.
José Tolentino Mendonça, capelão, biblista, poeta, ensaísta, tradutor e professor recebeu o Prémio Cidade de Lisboa de Poesia (1998) e o Prémio PEN Clube de Ensaio (2004). Lecciona Estudos Bíblicos na Faculdade de Teologia da Universidade Católica, tendo concluído licenciatura canónica em Ciências Bíblicas no Pontifício Instituto Bíblico de Roma. Tem as suas raízes na Ilha da Madeira e seguiu o sacerdócio por vocação, ainda jovem.
A Construção de Jesus (2004) constitui o seu texto de dissertação de doutoramento apresentado na Faculdade de Teologia da Universidade Católica.
Sobre esta obra de referência, para melhor compreensão da figura de Jesus, podemos ler no sítio editorial:
O objectivo da presente dissertação é abordar o episódio do terceiro Evangelho (Lc 7,36-50) através de um exercício de análise narrativa, averiguando o modo como o narrador lucano faz emergir o personagem Jesus. A isso chamamos 'construção'. Não se pretende discutir a prioridade que o Jesus histórico tem sobre o raconto que o toma por protagonista. Se, como recorda Genette a propósito da ficção, a situação narrativa supõe uma instância que precede o actual estado de escrita, quanto mais não se dirá de um Evangelho (Lc 1,1) que intende relatar 'factos que se cumpriram' […] A inquestionável anterioridade de Jesus é fundadora do próprio raconto. A nossa opção é a de sondar a forma como Jesus é revelado no texto evangélico pelo recurso a essa poderosa 'arte refinada', que Lucas domina de forma até 'instintiva', a arte de narrar. Veremos que a arte literária não só nada dilui do impacto teológico da sua figura, como nos faz perceber que a teologia do raconto não se pode dissociar do modo como ele é construído: as categorias do raconto e seus procedimentos estão implicados no conteúdo veiculado. E se, como escreve Aletti, 'talvez a obra lucana seja o primeiro ensaio de cristologia verdadeiramente narrativa', teremos a oportunidade, por aí, de aprofundar caminhos de um renovado encontro com Jesus.
O primeiro livro de Rosário Sá Coutinho, jornalista cuja infância e adolescência transformaram em "cidadã do mundo" (Jornal de Letras Artes e Ideias, 7 de Abril de 2009) presta homenagem a oito mulheres: condessa do Redondo, a Diplomata, D. Maria de Eça, a Capitoa, D. Juliana Dias da Costa, a Negociadora, D. Mécia de Monroy, a Cativa, D. Antónia Rodrigues, a Cavaleira, D. Francisca Chiponda, a Comerciante, D. Leonor Tomásia, a Vice-Rainha e D. Maria Bárbara Pinto de Madureira, a Administradora.
Este livro, baseado numa vasta e original pesquisa histórica, descreve-lhe a empolgante vida destas corajosas mulheres que, ao longo de quatro séculos, desafiaram preconceitos, lutaram pelos seus sonhos e viveram sempre à frente do seu tempo. Mulheres aventureiras que merecem um lugar na nossa História. (Esfera dos Livros)
"É um livro de aventuras, no qual as mulheres são personagens principais. É surpreendente descobri-las, pois foram capazes de grandes feitos, especialmente quando olhados à luz da época."Afirmou a autora ao JL onde, sobre a obra se pode ainda ler: "Histórias de amor, de batalhas sangrentas, de viagens mar adentro, de diplomacia ou de comerciantes, todas têm como protagonistas mulheres que desafiaram as regras impostas e viveram à frente do seu tempo" (p. 24).
À Ilha de Combe, podemos vê-la "ao largo da costa da Cornualha, a cerca de vinte milhas para sudoeste da Ilha Lundy e a cerca de doze milhas do continente, neste caso Pentworthy", mas apenas nas páginas escritas por P. D. James, segundo nota sua.
Aos poucos, à medida que vamos conhecendo a paisagem, ganham contornos as histórias proibidas de pirataria, tão cruéis como o mar em momentos de tempestade, que ali terão ocorrido.
Nesta ilha, num local de acolhimento de hóspedes ilustres, a violência das velhas lendas interrompe a quietude instalada e dois crimes ocorrem, deixando que a perplexidade e a desconfiança se alastrem como a névoa espessa.
P. D. James escolhe, então, Adam Dalgliesh, Kate Miskin e Francis Benton-Smith para esta narrativa policial, colocando-os num cenário agreste onde o farol assume a sua função primordial, apontando direcções, desvendando segredos, testemunhando um crime...
Gradualmente, as pistas levantam suspeitas, abrem feridas e caminhos sinuosos, culminando no desvendar de uma verdade surpreendente.
Recebeu diversas distinções pela sua escrita e a vida trouxe-o a este mundo numa terra incrustada para as bandas da raia de Espanha, onde os barrocos decoram a paisagem, assim como o pinheirame. Num lugar de destaque, ergue-se o castelo, encimado por cinco quinas, que o tornam único em Portugal.Manuel António Pina nasceu em 1943 na agora cidade do Sabugal, onde viveu até aos seis anos, tecendo recordações que, no seu dizer, vêm povoar os seus poemas.
Da terra diz:
A recordação mais antiga que tenho de mim mesmo (falei dela há tempos numa entrevista a uma revista da Galiza) é uma criança de dois ou três anos, de chapéu de palha na cabeça, ao pé de uma fonte, acho que uma fonte de mergulho, circular, num largo talvez em frente de minha casa. Outra criança tira-me o chapéu da cabeça e atira-o à água. Eu – acho que sou eu essa criança – exijo-lhe que o vá buscar e mo devolva. O outro miúdo não o faz, e afasta-se rindo. Então, cheio de orgulho ferido, eu regresso a casa.
Hoje, essa mesma terra presta-lhe homenagem numa tarde que se adivinha acolhedora, como a mãe que abraça o filho crescido, que acaba de regressar. A avó
Tinha ao colo o gato velho cansadamente passando a sua branca mão pelo pêlo dele preto e brando
Sentada ao pé da janela olhando a rua ou sonhando-a todo o passado passando a passos lentos por ela
Dormiam ambos enquanto a tarde se ia acabando o gato dormindo por fora a avó dormindo por dentro In Os Livros (2003)
A entrega de DVD funcionará através de um sistema de cartão numa edição e entrega do filme na seguinte. No Expresso a acção inicia-se dia 28 de Março, com a entrega do cartão do filme Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos, mais a caixa arquivadora. Na Visão arranca no dia 2 de Abril, com a entrega do cartão para o filme Volver (mais caixa arquivadora).Tudo sobre a Minha Mãe, Má Educação, A Lei do Desejo são os filmes distribuídos com o semanário e Fala com Ela, Negros Hábitos e Carne Viva os incluídos na acção da newsmagazine.