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quinta-feira, 19 de março de 2009

Dia do Pai

olho à volta
em flecha sobre as coisas
à procura desse ladrão excepcional
que me roubou o livro inventado

pra me poupares o coração
à mágoa dos vivos
mas sei que é inútil
trago em alvo
apenas alfaias domésticas
com que trabalho a terra
aquela que escolhi
e sei que é inútil porque o mal tem asas
e só o vento nos salva
e nos transporta
ao lugar da árvore
junto ao rio onde me banharei três vezes
até que o galo cante
e me lembre do meu pai
a quem devo ceia e roupa branca


In As Vinhas de Meu Pai, Quasi, 2000

domingo, 6 de abril de 2008

Cartas de Amor



Rosa Montufar Barreiros, viscondessa da Luz, foi uma mulher andaluza de grande beleza. Casada com um oficial do exército português, conheceu o escritor Almeida Garrett e ambos se apaixonaram.



A Quasi Edições lança agora um volume com as cartas de amor que ambos terão trocado, e que, ao contrário daquilo em que se acreditava, não foram destruídas.


quarta-feira, 19 de março de 2008

Homenagem com versos

Ana Paula Inácio escreveu “As Vinhas de Meu Pai”, onde, segundo se lê no site editorial:

nos dá um brevíssimo retrato rural, com a ancestralidade própria dos mais pequenos gestos campestres, a quase sacralidade litúrgica da morte dos animais e das vinhas, e uma galeria de personagens vistas sempre com grande empatia e compaixão. [...] O Pai, esse, quase só aparece no último poema! (http://www.quasi.com.pt)

Contudo, apesar de a figura paterna apenas surgir esporadicamente ou no final do livro, ela perpassa os poemas ao ilustrar o universo original do seu progenitor, enraizado em terras de granito e pinheirame da Beira, onde o ritmo das estações convida as gentes e faz andar a vida.

As Vinhas de Meu Pai de Ana Paula Inácio

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008

André Serrano

O Prémio Daniel Faria 2008 foi atribuído ao escritor José Luís Peixoto, por unanimidade.
Este é um prémio não monetário instituído pela Câmara Municipal de Penafiel em conjunto com a Quasi Edições.

O júri, constituído por Francisco José Viegas, Jorge Reis-Sá, Tito Couto e Vera Vouga, destacou, na edição mais recente, o original
Gaveta de Papéis, que foi apresentado a concurso por José Luís Peixoto, sob o pseudónimo de André Serrano.


A obra premiada poderá ser publicada pela Quasi em meados de Março.


quinta-feira, 17 de maio de 2007

Como a voz de muito amor

Maria Dulce Lupi Cohen Osório de Castro (1905-1977) escolheu para si o pseudónimo de Maria Valupi. A Bilioteca Finita Melancolia da responsabilidade da Quasi Edições dá-nos a conhecer uma Antologia Poética, agora celebrada.

No sítio da editora pode ler-se, a propósito desta autora:

A poesia de Maria Valupi desenha-se num tenso corpo a corpo com a vida, perdendo-se no labirinto de uma obsessiva tentativa de contrariar a evidência da realidade imediata dos seres, o tédio, a dor, procurando, na indagação da palavra, a infinitude dos instantes.


Já nem mesmo sei chorar

Com aquelas lágrimas
Que dos nossos olhos saem
Tão por de leve salgadas!
Só no íntimo de mim
Há uma queixa tão seguida, tão velada
Como a voz de muito amor. (Desprevenidas Paisagens, 1959)