segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Contos de Natal depois do Natal

Depois do Natal, se houver um tempinho, de férias ou nos transportes, antes de dormir ou numa pausa que se encontre, há que escolher um daqueles livros que tão generosamente nos depositaram no sapatinho.

Uma das leituras que o Natal nos deixou foi há muito proposta por Enid Blyton e reune, num mesmo volume, seis contos ilustrados por Mireia Coll, numa atmosfera mágica de fadas e brinquedos, duendes e partidas:

1. O Roubo dos Brinquedos do Pai Natal
2. A Oficina de
Brinquedos do Pai Natal
3. A Festa de Natal das Fadas
4. A Noite em que os Brinquedos Ganharam Vida
5. O Primeiro Natal do Coelhinho
6. Natal na Loja de
Brinquedos
Boas Leituras!

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Entrevistas da Paris Review

A Tinta da China lançou recentemente um volume contendo entrevistas anteriormente publicadas na Paris Review, a partir de uma selecção feita por Carlos Vaz Marques. Trata-se de um conjunto de conversas irrepetíveis, dado que todos os entrevistados faleceram já.

Assim, podemos ficar a conhecer as impressões de vida e da criação literária de E. M. Forster, Graham Greene, William Faulkner, Truman Capote, Lawrence Durrell, Boris Pasternak, Saul Bellow, Jorge Luis Borges e Jack Kerouac.


"Quando eu escrevo, escrevo porque algo tem de ser feito. Não me parece que um escritor se deva intrometer demasiado no seu próprio trabalho. Deve deixar o trabalho escrever-se a si próprio."
Jorge Luis Borges

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Um marido fantástico

Roald Dahl (1916-1990) nasceu em Llandaff, no País de Gales e deixou-nos uma obra considerável, destinada aos mais pequenos e aos adultos, onde o inesperado e o humor se conjugam para nos envolver e cativar. Gostava de escrever numa pequena casa de tijolos, que ainda hoje se encontra preservada, tal e qual como o escritor a deixou, construída num pomar na Gipsy House.

A sua ficção mereceu o reconhecimento da 7ª Arte, onde pudemos ver já adaptações de James e o Pêssego Gigante e Charlie e a Fábrica de Chocolate, por exemplo. Para breve, anuncia-se a chegada d' O Fantástico Senhor Raposo.



Como é apanágio da sua espécie, o senhor Raposo, ao ver-se perseguido pelos três agricultores terríveis Boggis, Bunce e Bean, delineia uma estratégia invencível, que lhe permite escapar aos ataques destes homens, que não recuam no intuito de castigar o vilão das suas capoeiras.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Momentos de Criatividade


Quero Ser Escritor: Manual de escrita criativa para todas as idades é um livro de Margarida Fonseca Santos e Elsa Serra, publicado pela Oficina do Livro.

Esta obra, composta por exercícios que estimulam a criatividade, permite a criação de textos variados, sob forma de diálogos, partindo de anagramas, mapas conceptuais, letras escondidas e muitas outras pistas irresistíveis.

Quero Ser Escritor constitui uma fonte agradável de actividades favorecedoras do alargamento das nossas competências criativas e de escrita; liberta o poder comunicativo e mergulha-nos no mundo dos contadores de histórias.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Lançamento


Conforme pode ler-se no
blogue do JL:

Poemas Portugueses – Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI (ed. Porto Editora) é lançado hoje, terça-feira, 15, pelas 19, na Fundação Medeiros e Almeida, em Lisboa.

Vasco Graça Moura irá apresentar a obra, que reúne oitocentos anos de poesia, 267 autores e mais de dois mil textos. Estarão presentes os seus coordenadores, Jorge Reis-Sá e Rui Lage e, no final da sessão, os actores Luís Lucas, Pedro Lamares e Carmen Dolores declamarão alguns dos poemas da antologia.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

A resolução

Chegou a hora.
O regresso anunciado do Rei faz-se com mais um número da revista Visão ou com o Expresso.
Este fim-de-semana, a adaptação da obra magnífica de Tolkien, ao cinema, com realização de Peter Jackson.
A não perder!

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Pelo trilho do eléctrico à noite...


Um vulto prossegue de costas para a noite, alheio a nós, alheio ao eléctrico vazio
iluminado.
Envolve a dedicatória a Miguel Donas, um viajante que tocou o coração do homem
da escrita.
A vida escapou-se-lhe, logo a seguir à saúde deixando para trás tudo o mais,
atilhos de saudade.

O Viajante Sem Sono
José Tolentino Mendonça
Assírio & Alvim

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Humor e desamor

Ela dedica-se de corpo e alma às estratégias de remediação do insucesso e desmotivação dos seus alunos do 8º ano, ele procura harmonia no seu grupo de teatro desavindo, desvincular-se da família virtual que o chantageia, compreender a lógica da integração de personagens da História comum num argumento que lhe parece duvidoso.

Entre dúvidas, decepções, e passagens que nos fazem sorrir e até rir com gosto, um olhar sobre a própria vida.


sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Histórias de soberanos


O jornal Correio da Manhã traz-nos 34 volumes que nos ajudam a conhecer as figuras carismáticas dos nossos reis. Todas as Quintas-feiras, a partir de dia 19 deste mês e até 11 de Março, poderá usufruir de um conjunto de obras biográficas preparadas sob a coordenação da Academia Portuguesa de História.

Encontra aqui informação sobre os dois primeiros volumes e todos os restantes:

1 – D. Afonso Henriques (1143-1185) o Conquistador Manuela Mendonça
2 – D. Sancho I (1185-1211) o Povoador Luis Miguel Duarte

sábado, 14 de novembro de 2009

Um Amigo

Uma sugestão de leitura para meninos e gente de todas as idades... que gostem de ler.

"Era uma vez uma casa pintada de amarelo com um jardim à volta.

No jardim havia tílias, bétulas, um cedro muito antigo, uma cerejeira e dois plátanos. Era debaixo do cedro que Joana brincava. Com musgo e ervas e paus fazia muitas casas pequenas encostadas ao grande tronco escuro. Depois imaginava os anõezinhos que, se existissem, poderiam morar naquelas casas. E fazia uma casa maior e mais complicada para o rei dos anões.

Joana não tinha irmãos e brincava sozinha. Mas de vez em quando vinham brincar os dois primos ou outros meninos. E, às vezes, ela ia a uma festa. Mas esses meninos a casa de quem ela ia e que vinham a sua casa não eram realmente amigos: eram visitas. Faziam troça das suas casas de musgo e maçavam-se imenso no seu jardim.

E Joana tinha muita pena de não saber brincar com os outros meninos. Só sabia estar sozinha.

Mas um dia encontrou um amigo. Foi numa manhã de Outubro.

Joana estava encarrapitada no muro. E passou pela rua um garoto. Estava todo vestido de remendos e os seus olhos brilhavam como duas estrelas. Caminhava devagar pela beira do passeio sorrindo às folhas do Outono. O coração de Joana deu um pulo na garganta."


Sophia de Mello Breyner Andresen

A Noite de Natal
Porto: Livraria Figueirinhas, 1989

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A viagem começa em Paris

O elevador Otis que sobe o pilar sul da Torre Eiffel estava a transbordar de turistas. Dentro do atravancado ascensor, um austero homem de negócios de fato engomado olha para baixo, para o rapaz a seu lado.

- Estás pálido, filho. Devias ter ficado no chão.

- Eu estou bem… - respondeu o rapaz, lutando para controlar a ansiedade. - Saio no próximo piso. Não consigo respirar.

O homem inclinou-se mais. - Achei que nesta altura já terias conseguido ultrapassar isso. - Disse, afagando afectuosamente a face da criança.

O rapaz sentiu-se envergonhado por desapontar o pai, mas mal conseguia ouvir devido ao zumbido que sentia nos ouvidos. Não consigo respirar. Tenho de sair desta caixa!

O ascensorista estava a dizer qualquer coisa tranquilizadora sobre os pistões articulados do elevador e a sua construção de ferro pudelado. Muito abaixo deles, as ruas de Paris expandiam-se em todas as direcções. Estamos quase lá, disse o rapaz para si próprio, esticando o pescoço para olhar para a plataforma de saída. Aguenta.

Enquanto o elevador subia fortemente inclinado em direcção à varanda panorâmica superior, o poço começou a estreitar e as suas barras maciças a contraírem-se de modo a formarem um apertado túnel vertical.

- Pai, acho que não -

De repente, um estalido nítido ecoou por cima das cabeças deles. A cabina moveu-se abruptamente e ficou inclinada de forma estranha para um dos lados. Cabos partidos começaram a baloiçar em redor da cabina como cobras. O rapaz agarrou-se ao pai.

- Pai!

Os olhares deles encontraram-se durante um segundo aterrorizador.

Depois o chão caiu.

Robert Langdon endireitou-se de um salto no seu banco de pele macia, despertando do seu sonho semiconsciente. Estava sozinho na enorme cabina do Falcon 2000EX privado que abria caminho através da turbulência. Lá atrás, os dois motores Pratt & Whitney roncavam regularmente.

Excerto do I capítulo do livro O Símbolo Perdido, de Dan Brown, disponibilizado pela Bertrand a partir de 29 de Outubro.

Retirado daqui.


Disponível na Edisa.

domingo, 25 de outubro de 2009

O bordado das palavras

O tempo hoje deu-nos mais uma hora para lermos. E uma hora dá para acabarmos de ler aquele livro que nos tem prendido a si, para escolhermos o que se lhe segue, para pensarmos em palavras-chave, emoções que se repetem em nós colhidas nesta ou naquela página.

Uma hora dá para ler, como se os dedos passassem leves sobre um bordado macio, uma renda de linha sedosa e fina. Uma narrativa delicada, silenciosa, evocando poemas, a figura ténue de Laura visível a alguns, perturbadora para todos os outros. As malvas, as pinturas sobrepostas, palimpsestos numa tela, numa casa, numa história, a loucura que se despe, que envolve como tecido, manto ou véu.

Uma escolha feliz em que as palavras desenham, também elas, um bordado perfeito de bem escrever.

A nossa sugestão: Isabel Fraga (2007). A Desenhadora de Malvas. Porto: Asa Editores

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

i com Pessoa

Um perfil de palavras.
O bom gosto na escolha da apresentação da colecção.
No jornal i, a escrita de Pessoa.


Uma obra a acompanhar a cada semana.
Brevemente.


Dia 30 de Outubro: Mensagem.

domingo, 18 de outubro de 2009

O rosa inconfundível da música


Henry Mancini (1924-1994), compositor, pianista e autor de arranjos musicais, deixou-nos temas memoráveis como
Moon River ou aquela música elegante, absolutamente inconfundível, que denuncia a chegada de Pink Panther.

The Pink Phink (1964) é a primeira curta-metragem onde encontramos esta figura irreverente num trabalho que granjeou o Academy Award for Short Subjects, Animated Films.

O jornal Público traz-nos todos os Sábados, de 17 de Outubro a 19 de Dezembro uma colecção de 10 DVDs, contendo 124 episódios desta série de animação divertida.

Uma boa escolha semanal.



sábado, 17 de outubro de 2009

Jornalismo e ficção


"Quero acreditar que já não estarias em casa por alturas em que cheguei mas não sei dizer. A verdade é que não te procurei. Mais uma vez. Penso que fiz as coisas do costume, penso hoje quando penso nisso que fiz as coisas do costume, terei deixado o sobretudo ao acaso, abri o frigorífico fechei abri uma outra vez, sem saber bem o que procuro, acontece-me quase sempre. As coisas do costume. Vagueei sem saber bem, o sobretudo caído alguém há-de arrumar, tu tratas disso. Do frigorífico abro fecho abro outra vez, quero pouco, não sei que quero, deixei de beber prometi-te acho que te prometi, não sei que beba."

sábado, 10 de outubro de 2009

Prémio Nobel da Literatura 2009


Herta Müller, romancista, poeta e ensaísta de Língua Alemã, natural de Nitzkydorf, aldeia próxima de Timisoara na Roménia, foi galardoada com o Prémio Nobel da Literatura de 2009.

Da sua obra, dispomos já, em Portugal, de obras traduzidas como: A Terra das Ameixas Verdes (publicada pela Difel em 1999) e O Homem é um Grande Faisão Sobre a Terra (com publicação de 1993, da responsabilidade da Editora Cotovia).


No Brasil, encontramos, ainda, O Compromisso (disponibilizado pela Editora Globo).


A escolha de Herta Müller fica a dever-se,
no dizer do comité, ao facto de ser alguém

"who, with the concentration of poetry and the frankness of prose, depicts the landscape of the dispossessed".

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Na corte de Henrique VIII

Thomas Cromwell foi conselheiro de Henrique VIII no tempo dos Tudors, na década de 1520. Assistiu aos acontecimentos polémicos que viriam a provocar uma cisão entre o soberano e a Igreja, pondo em causa o sacramento do matrimónio.

Hilary Mantel investiu-o de protagonismo na sua obra Wolf Hall, que agora lhe valeu a obtenção do Man Booker Prize, na edição de 2009.

A autora nasceu a 6 de Julho de 1952, em Glossop, na região do Derbyshire, tendo, também, raízes na Irlanda. Estudou Direito e trabalhou como Assistente Social, viveu no Bostwana e na Arábia Saudita, regressou à Grã-Bretanha na década de 80. A escrita de Hilary, no domínio da ficção e da crítica, bem como do ensaio, tem merecido diversas distinções e nomeações, nomeadamente o Shiva Naipaul Memorial Prize (1987).

Aguardemos, pois, a publicação dos seus trabalhos em Língua Portuguesa.



domingo, 4 de outubro de 2009

Do Essex ao Nilo

Até ao dia 27 de Fevereiro, o jornal Correio da Manhã continua a trazer-nos, todos os Sábados, histórias de suspense e verdadeiros desafios policiais, entretecidos pela mestre Agatha Christie.

O Misterioso Caso de Styles (1916) narra-nos a primeira aventura de Hercule Poirot que, em conjunto com o seu amigo Capitão Hastings, a recuperar de um ferimento de guerra, no Essex, desvenda o caso enigmático do envenenamento da senhora Emily Inglethorpe.

Para a semana, prepare-se para ler
Morte no Nilo (1937), uma das obras emblemáticas da autora.



quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Ao som do vento e das gargalhadas

Passada a última casa, começava a descida da serra. À medida que iam andando, a jogar a cabra – cega com as fragas, a aldeia, cada vez mais distante e cingida ao seu bioco de colmo, lembrava uma mãe abandonada. E alguém cantou:


Adeus, adeus, minha terra,

Berço da minha alegria,

Penaguião vem de pena,

Mariana de Maria


As raparigas deixavam vir à tona os encantos soterrados, os rapazes davam largas à inspiração, e os velhos iam pouco a pouco perdendo também o ar encardido, num renovo de esperança. Cada palmo percorrido era uma ruga a menos, na alma e no corpo.
[...] Em S. Martinho, primeira terra do Doiro, e por isso com um patrono vinhateiro, beberam. No eiró da terra formaram roda, o harmónio, o bombo e os ferrinhos acertaram a voz, e, saltando.

Miguel Torga, Vindima